Em minhas inúmeras conversas que tenho mantido com empresas que estão buscando acelerar seus processos de transformação digital, um assunto invariavelmente vem à tona: a obsessão de algumas delas pelo desenvolvimento de seus próprios aplicativos. Em alguns casos o foco é: os chamados “super” aplicativos – aqueles que supostamente resolvem todo tipo de dor dos usuários – são os mais almejados.
     Líderes destas empresas idealizam o canal perfeito e completo de engajamento de clientes como se este recurso fosse a solução de todos os seus problemas. Dentro dos objetivos do projeto estão a necessidade de eliminar os gargalos dos seus processos de vendas, melhorar exponencialmente e definitivamente o relacionamento com seus clientes e por ai vai. Tudo assim: como num passe de mágica. E investem muito tempo e muito dinheiro em busca do formato ideal, das funcionalidades essenciais, das UX/UI matadoras, etc.
     Após meses de trabalho, dezenas de reuniões com equipes multidisciplinares, incansáveis testes e melhorias, lançam com um farto investimento em divulgação o famigerado e tão esperado app da empresa. No princípio é só alegria: de olho do painel das lojas para checar diariamente o número de downloads, a nota dada e os comentários dos usuários: as métricas que vão apontar o sucesso ou não do projeto.
     Mas, infelizmente, na maioria esmagadora dos casos não é bem assim que acontece. Segundo dados das próprias lojas, a cada 3.000 downloads feitos na App Store ou no Google Play, 2.890 são desinstalados em menos de um mês! Ou seja: mais de 96,3% dos aplicativos não sobrevivem há mais de 30 dias no celular dos usuários.
     Fica então a pergunta: o que tem no seu app que um site responsivo ou um web app não resolveria? Tecnologias como das PWAs (Progressive Web Aplication)  pode ser uma forma mais simples e pontual:
1 – aplicativos em nuvens são muito mais baratos de desenvolver;
2 – são mais rápidos no carregamento do que os app nativos;
3 – possuem atualizações automáticas;
4 – não ocupam espaço na memória do celular do usuário;
5 – não precisam ser baixadas em nenhuma loja – apenas ter um bom mecanismo para orientar o usuário a adicionar o atalho de acesso na página inicial do seu smartphone.
     O PWA possui praticamente todas as funcionalidades de um aplicativo nativo, com exceção da limitação em recebimento de push notifications no iOS – sistema operacional dos iPhone que no Brasil não representa mais que 4% do total de usuários de sistemas mobile.
     Por essa e por outras, muito cuidado e parcimônia na hora de decidir sobre criar seu próprio app: além do desenvolvimento caro e demorado, você vai ter que mobilizar diversas equipes, imobilizar uma quantidade de profissionais de áreas distintas dentro da empresa, investir pesado na divulgação de lançamento e ainda gastar um bom dinheiro e tempo na manutenção e retenção dos usuários que, por curiosidade ou necessidade, baixaram a sua menina dos olhos.

Cadu Senna

Cadu Senna é Marketer 4.0, Head de Inovações, Fundador e CEO da OQ Digital.

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